Códigos e Cifras
Toca num código para o abrires — depois usa-o em papel A Cifra de César · Código Morse · Braille · Semáforo de Bandeiras · Cifras de Substituição · Análise de Frequências · A Enigma · Binário · Códigos QR · Guardar Segredos Hoje.
Dos 11 aos 13 anos
O que há lá dentro
A Cifra de César — desloca cada letra
Escreve o alfabeto e escreve-o outra vez por baixo, deslocado três casas. Agora cada letra tem uma substituta: A passa a D, B passa a E, e o Z dá a volta e vira C. É isto a cifra de César inteira, e o escritor romano Suetónio diz que Júlio César usava precisamente este deslocamento nas cartas privadas.
Código Morse — curto, longo, silêncio
O morse não foi feito para esconder nada — foi feito para viajar. Cada letra vira um padrão de sinais curtos e longos, e por isso uma mensagem pode atravessar um fio, um feixe de luz, um assobio ou uma mão a bater numa mesa. É a prova de que a linguagem não precisa de papel, nem sequer de som.
Braille — uma escrita, não um passatempo
O braille está nesta coleção por uma única razão: prova que as letras não têm de ser vistas. Não é um código secreto e nunca foi um jogo — é um sistema de escrita completo que dá a pessoas cegas e com baixa visão acesso direto e independente à língua escrita. Louis Braille construiu-o ainda adolescente e publicou-o em 1829, aos vinte anos.
Semáforo de Bandeiras — falar com os braços
Segura uma bandeira em cada mão e coloca os braços em posições diferentes: cada combinação é uma letra. O semáforo é o único código aqui que envias com o corpo inteiro, e o único que atravessa um vale sem equipamento nenhum. O seu antepassado, o telégrafo ótico francês de 1794, foi o sistema de mensagens à distância mais rápido do planeta durante meio século.
Cifras de Substituição — um alfabeto todo novo
Em vez de deslocares o alfabeto uma quantidade fixa, troca cada letra por outra qualquer à tua escolha: o A pode virar Q, o B pode virar F, e esse emparelhamento é a tua chave. O número de alfabetos possíveis é cerca de 4 × 10²⁶ — um quatro seguido de vinte e seis algarismos — por isso a força bruta é inútil. Mesmo assim, estas cifras eram lidas rotineiramente há quinhentos anos, e esse é o facto mais interessante que têm.
Análise de Frequências — como os códigos são quebrados
Esta é a que interessa mesmo. A análise de frequências não serve para esconder uma mensagem — é a forma como as mensagens são descobertas, e foi o momento em que quebrar códigos deixou de ser adivinhar e passou a ser reunir provas. A ideia é quase insultuosamente simples: as línguas têm hábitos, e nenhum disfarce esconde um hábito.
A Enigma — a máquina, e quem a venceu
A Enigma era uma máquina do tamanho de uma máquina de escrever que baralhava cada letra de maneira diferente, e a sua história é contada mal mais vezes do que quase todas as outras desta coleção. Não foi quebrada por um génio à última hora: foi quebrada pela primeira vez em 1932 por três jovens matemáticos polacos, sete anos antes da guerra, e o trabalho deles foi entregue à Grã-Bretanha e à França antes de a guerra começar. O que aconteceu depois em Bletchley Park foi extraordinário — mas partiu de um avanço polaco.
Binário — tudo a partir de dois símbolos
O binário é aquilo em que todos os outros códigos desta coleção acabam por se transformar, porque uma máquina só distingue com segurança duas coisas: ligado e desligado, furo e não furo, carregado e vazio. Só com 0 e 1 consegues escrever qualquer número, qualquer letra, qualquer fotografia e qualquer canção. O matemático Leibniz publicou a aritmética disto em 1703, mais de dois séculos antes de existir seja o que for capaz de a usar.
Códigos QR — um código que a tua câmara lê
Um código QR é uma mensagem escrita para máquinas, impressa num quadrado de blocos pretos e brancos que uma câmara consegue ler de qualquer ângulo. Foi inventado em 1994 por uma equipa da empresa japonesa Denso Wave, liderada por Masahiro Hara, que precisava de seguir peças de automóveis mais depressa do que os códigos de barras permitiam. É o único código aqui desenhado à partida para estar sujo, rasgado, amarrotado e mal fotografado.
Guardar Segredos Hoje — porque as palavras-passe são chaves
Todas as cifras desta coleção acabam no mesmo sítio: a mensagem só está segura enquanto a chave estiver. Hoje as tuas chaves chamam-se palavras-passe, e a boa notícia é que guardá-las é uma competência, não um talento — meia dúzia de hábitos faz quase todo o trabalho. Ninguém anda à tua caça pessoalmente, e perceber o que acontece de facto tira-lhe o medo por completo.
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