Português 4.º ano: Textos que contam e textos que descrevem
Português, 4.º ano (Portugal): Ler textos mais longos que contam e descrevem: seguir a ação, o espaço e as personagens e ver como a descrição se mistura com a história.
Contar e descrever
Um texto narrativo conta o que acontece: quem faz o quê, onde e quando, por ordem, com um narrador que conta. Um texto descritivo diz como algo é: uma pessoa, um lugar, um objeto, usando o que se vê, ouve, cheira, toca e saboreia, com palavras como adjetivos e comparações. Nos textos mais longos, os dois vêm misturados: a história avança e, de vez em quando, para para descrever.
Para não perderes o fio nem as pistas
Os textos do 4.º ano são mais compridos, e é fácil perder-se. Se distingues o que se conta (verbos de ação: «subiu», «abriu») do que se descreve (adjetivos, cheiros, cores), sabes onde a história avança e onde ela para para te mostrar um lugar ou uma personagem. Lês da mesma maneira num livro ou num ecrã, mas no ecrã há mais coisas a distrair: convém manter o fio.
Um sótão, passo a passo
Texto: «A Marta subiu a escada do sótão. Os degraus rangiam e o ar cheirava a madeira velha. Lá em cima, num raio de sol, havia uma caixa azul, pequenina. A Marta abriu-a.» Passo 1: as ações, por ordem: «subiu», «abriu». Passo 2: a descrição: «rangiam» (ouvido), «cheirava a madeira velha» (olfato), «azul, pequenina» (vista). Passo 3: espaço: o sótão; personagem: a Marta; o narrador não é uma personagem e conta de fora.
Saltar as descrições faz perder pistas
Muita gente lê depressa as partes que descrevem, porque «não acontece nada». Mas a descrição diz onde estamos e como são as personagens, e muitas vezes guarda uma pista: a caixa «azul, pequenina» do sótão pode ser importante mais à frente. Também não é verdade que um texto é só narrativo ou só descritivo: quase todos misturam. Pergunta-te: neste bocado, a história avança ou para para mostrar?
Livros, revistas e ecrãs
Encontras textos que contam e descrevem em livros de aventuras, em revistas, em contos e em livros digitais no computador ou no tablet. Lês para ter prazer, para saber mais ou até para fazer alguma coisa, e isso muda o que procuras: numa aventura, a ação; num texto sobre um lugar, a descrição. O suporte (papel ou ecrã) muda, mas as perguntas são as mesmas.
Testa o que aprendeste
Qual destas frases é uma descrição?
- a) «A Marta subiu a escada e abriu a porta.»
- b) «A escada era estreita, escura e cheirava a madeira velha.»
- c) «Depois, a Marta ouviu um barulho.»
- d) «No dia seguinte, a Marta voltou ao sótão.»
Resposta certa: b) «A escada era estreita, escura e cheirava a madeira velha.» — Sim: diz como é a escada, com adjetivos e um cheiro. Não acontece nada.
Lês: «O Rui entrou na cozinha. Era pequena, quente e cheirava a pão fresco. Tirou o pão do forno.» O que faz a frase do meio?
- a) Conta uma nova ação do Rui
- b) Apresenta uma personagem nova
- c) Diz quando a história acontece
- d) Descreve a cozinha: como é e a que cheira
Resposta certa: d) Descreve a cozinha: como é e a que cheira — Sim: «pequena», «quente» e «cheirava a pão fresco» dizem como é o sítio. A história para para o mostrar.
Um colega salta as frases que descrevem, «porque só interessa o que acontece». Porque é arriscado?
- a) Porque a descrição pode dar pistas sobre o lugar, as personagens e o que vem a seguir
- b) Porque as descrições são sempre a parte mais engraçada
- c) Porque as descrições são mais curtas
- d) Não é arriscado: as descrições não dizem nada
Resposta certa: a) Porque a descrição pode dar pistas sobre o lugar, as personagens e o que vem a seguir — Sim: as descrições guardam muitas vezes o que importa mais tarde, como uma caixa estranha num sótão.
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