A passagem do ser ao dever — Filosofia, 14–17 anos
Porque os factos, por si só, não dizem automaticamente o que devemos fazer. Filosofia, 14–17 anos.
Os factos precisam de uma ponte de valores
Um facto descreve como as coisas são: o lago está poluído ou o comboio está atrasado. Um dever diz o que deve ser feito: limpar o lago ou esperar pelo comboio. Os factos importam, mas é preciso um valor ou objetivo adicional para passar da descrição à obrigação.
Tornar visível um passo escondido
As pessoas apresentam muitas vezes conclusões morais como se os factos já as tivessem decidido. No século XVIII, David Hume reparou que os autores passavam de afirmações sobre o que «é» para afirmações sobre o que «deve ser» sem explicar a mudança. Identificar a falha ajuda a descobrir o valor escondido num argumento.
Encontrar a premissa em falta
Argumento: «Este casaco é caro, por isso não o deves comprar.» Primeiro, o facto é que custa 200 euros. Depois, a conclusão diz para não o comprar. O que falta? Uma premissa de valor, como «Deves evitar compras que custem mais do que podes pagar razoavelmente». Só então a conclusão decorre.
Os factos não trazem ordens consigo
O erro habitual é tratar «natural» como se significasse automaticamente «bom», ou «comum» como se significasse «certo». Parece razoável porque aprendemos com a natureza e com o que a maioria faz. Mas descrever e aprovar são coisas diferentes; é preciso um princípio adicional para as ligar.
Decisões públicas mais claras
Esta distinção melhora os debates sobre regras escolares, saúde pública, tecnologia e ambiente. Quando alguém diz o que temos de fazer, pergunta que factos apoiam a afirmação e que valor a transforma num dever. Assim, podes discordar do valor abertamente, em vez de fingir que é apenas um facto.
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