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Injustiça epistémica — Filosofia, 14–17 anos

Por vezes, as pessoas são tratadas injustamente enquanto conhecedoras: não se acredita no seu testemunho ou faltam-lhes conceitos partilhados para descrever o que lhes acontece.

Injustiça no conhecimento

A injustiça epistémica acontece quando um preconceito social prejudica a possibilidade de alguém transmitir, receber ou desenvolver conhecimento. Na injustiça testemunhal, quem ouve dá menos credibilidade a uma pessoa por causa da sua identidade ou de um estereótipo. Na injustiça hermenêutica, falta uma linguagem partilhada para tornar uma experiência compreensível. O dano é intelectual e social ao mesmo tempo.

Porque surgiu esta ideia

As teorias tradicionais do conhecimento concentravam-se muitas vezes num indivíduo isolado a perguntar se uma crença era justificada. Filósofas feministas repararam que o poder também afecta quem é ouvido, em quem se acredita e quem é compreendido. A ideia surgiu para mostrar que o conhecimento não é apenas uma conquista privada. As conversas, as instituições e as expectativas sociais podem ajudar a conhecer ou criar obstáculos.

Um exemplo numa reunião

Uma estudante diz que o sítio Web da escola não é acessível com um leitor de ecrã, mas a comissão ignora-a e aceita a mesma ideia quando um professor experiente a repete. Passo 1: identifica a afirmação. Passo 2: compara as razões para confiar, não o estatuto de quem fala. Passo 3: repara na diferença de credibilidade: a sua prova foi desvalorizada por causa de um estereótipo, não por ser mais fraca. A decisão perde conhecimento e justiça.

Nem toda a discordância

Um erro compreensível é chamar injustiça epistémica a qualquer contestação da afirmação de alguém. As pessoas podem estar enganadas e as provas podem merecer crítica. A pergunta essencial é saber se a credibilidade foi reduzida por uma razão social irrelevante ou se a afirmação foi avaliada pelos mesmos critérios que as outras. O conceito protege uma audição justa; não torna automaticamente correcta qualquer pessoa.

Onde ajuda

Esta ideia ajuda nas salas de aula, no trabalho, nos tribunais, nos cuidados de saúde e nas discussões em linha. Incentiva a perguntar que experiência está ausente, se alguém enfrenta um estereótipo de credibilidade e se o grupo tem palavras para o problema. Ouvir de forma justa não é apenas boa educação: pode revelar provas que uma maioria confiante não reparou.

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