Da União Ibérica à Restauração — História, 11–13
Sessenta anos em que Portugal e Espanha partilharam o mesmo rei — e como Portugal recuperou a sua independência.
Um só rei, dois reinos
Em 1578, o jovem rei D. Sebastião morre numa batalha em Marrocos, sem deixar herdeiro directo. Dois anos depois, em 1580, Filipe II de Espanha reivindica a coroa portuguesa e, em 1581, é reconhecido rei de Portugal pelas Cortes de Tomar, dando início à chamada União Ibérica: os dois reinos passam a ter o mesmo rei, embora continuassem, oficialmente, a ser governados como países distintos.
Porque esta união gerou descontentamento
Apesar de Portugal manter, no papel, as suas próprias leis e instituições, o governo à distância, feito a partir de Madrid, foi cada vez mais sentido como desfavorável aos interesses portugueses — sobretudo em questões de comércio e de impostos. Este descontentamento foi crescendo ao longo de décadas, até explodir em revolta.
Um caso: o 1 de Dezembro de 1640
Passo 1: ao longo dos anos 1630, o descontentamento com o domínio filipino aumenta, com impostos mais altos para financiar guerras espanholas. Passo 2: um grupo de nobres portugueses organiza uma conspiração para acabar com a União Ibérica. Passo 3: a 1 de dezembro de 1640, os conspiradores tomam o Paço Real em Lisboa e proclamam o Duque de Bragança como novo rei, D. João IV. Passo 4: segue-se uma guerra longa entre Portugal e Espanha, que só termina em 1668, com o reconhecimento oficial da independência portuguesa.
A armadilha: pensar que a independência foi imediata
É fácil pensar que, a partir de 1 de dezembro de 1640, Portugal estava outra vez completamente independente. Na realidade, seguiram-se 28 anos de guerra — a Guerra da Restauração — antes de Espanha reconhecer formalmente, em 1668, que Portugal era de novo um reino independente. Tal como a formação do reino, no século XII, a Restauração também foi um processo longo, não um só dia.
Onde isto ainda se vê hoje
O 1 de Dezembro é ainda hoje uma data assinalada em Portugal, associada à recuperação da independência. E a expressão "Restauração" continua a ser o nome usado para este período, sempre que se fala da história de como Portugal deixou de partilhar rei com Espanha.
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