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A perifrástica passiva latina: o que tem de ser feito — 14–17

A perifrástica passiva transforma uma acção numa obrigação. O gerundivo concorda com aquilo que tem de ser feito, enquanto um dativo indica muitas vezes a pessoa responsável.

Uma acção que é necessária

A perifrástica passiva combina um gerundivo com uma forma de sum para dizer que algo tem de ser feito. Em português, traduzes muitas vezes por «tem de», «deve» ou «é necessário», e não por um simples verbo passivo.

Porque o latim precisava desta forma

Um passivo normal diz o que acontece: «a ponte é construída». Isso não mostra se a construção é obrigatória, aconselhada ou acidental. A perifrástica acrescenta obrigação, permitindo aos autores romanos exprimir planos, leis e responsabilidades com precisão.

Carthago delenda est

Começa por Carthago: feminino, nominativo singular, por isso delenda concorda com ele. Delenda vem de deleo e significa «a destruir»; est significa «é». A tradução natural é «Cartago tem de ser destruída», não simplesmente «Cartago está a ser destruída».

Quem tem de agir?

A frase mihi liber legendus est pode parecer ter mihi como objecto normal, mas é um dativo: «o livro tem de ser lido por mim». Isto parece estranho porque o português costuma pôr a pessoa primeiro; o latim usa o dativo para o responsável e o sujeito para aquilo que é necessário.

Regras, deveres e decisões

Encontras a mesma ideia em sinais, regulamentos e planos pessoais: «é obrigatório usar capacete», «o formulário tem de ser assinado», «preciso de sair». A forma latina é especialmente útil em discursos e textos políticos, onde o dever e a responsabilidade são centrais.

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