Ironia — Literatura, 14–17 anos
Como uma diferença entre aparência e realidade, ou entre palavras e sentido, leva o leitor a questionar o que vê.
Ideia: uma diferença com sentido
A ironia surge quando o que parece verdadeiro, o que é dito e o que é realmente verdadeiro não coincidem. Uma personagem pode elogiar um plano que o leitor percebe ser desastroso, ou um acontecimento alegre pode trazer um resultado doloroso. A diferença faz-nos ler para além da superfície.
Porquê usar ironia?
A ironia resolve um problema da narrativa: uma afirmação directa pode não deixar espaço para a descoberta. Ao separar palavras e realidade, o escritor pode expor orgulho, hipocrisia ou auto-engano sem os explicar. O leitor tem de comparar perspectivas e decidir o que significa essa diferença.
Exemplo trabalhado: um elogio que condena
Imagina que um narrador chama «modelo de honestidade» a um presidente da câmara poderoso, logo depois de descrever que ele tirou dinheiro público. As palavras parecem positivas, mas o facto próximo contradiz-nas. Se o narrador for atento, o elogio é irónico e condena o presidente; se for ingénuo, revela também a sua cegueira.
Armadilha: confundir ironia com qualquer surpresa
É um erro compreensível chamar irónico a qualquer acontecimento inesperado. A surpresa é apenas uma mudança em relação ao que se esperava; a ironia exige um choque com sentido entre níveis, como palavras e factos ou intenção e resultado. Uma tempestade num piquenique é azar, não é automaticamente irónica.
Uso: ler a linguagem pública
A ironia é importante em romances, sátira, comédia e discursos, onde uma aprovação aparente pode esconder crítica. Também ajuda a ler cuidadosamente títulos, anúncios e publicações online, sobretudo quando o tom é difícil de perceber. Não presumas ironia por causa de uma frase; procura o contexto e as consequências.
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